Escola Pantheon

Artigo
Para quê tanto brinquedo, afinal?


No próximo mês, teremos o Dia das Crianças. E inevitavelmente já vemos uma enxurrada de propagandas, nos mais diversos meios, de brinquedos para as crianças.

Daí que resolvemos trazer a questão proposta no título desta coluna para uma reflexão. Como especialistas no brincar e no desenvolvimento das crianças pela brincadeira, é lógico que “brinquedo” está dentro do nosso repertório diário. Aliás, o brinquedo se encaixa nas três coisas fundamentais que precisamos, como pais e mães, oferecer a nossos filhos para que a brincadeira aconteça: tempo, espaço e objetos.Os brinquedos estão nesta última categoria.

E antes que alguém pare de ler este texto, achando que vamos levantar a bandeira radical-extremista contra os brinquedos. Calma. Nós amamos brinquedos. Nos divertimos com eles e nossos filhos. É uma delícia quando uma criança brinca com um brinquedo.

Brinquedo de brincar

Quando eu (aqui é a Patricia Camargo) era pequena, achava muito estranhas as bonecas de uma prima. Elas ficavam numa estante super alta, dentro das suas respectivas caixas. Quando a gente queria brincar com elas, tinha que pedir para minha madrinha pegar lá no alto. E a gente precisava brincar com uma condição: não podíamos tirar o plástico que envolvia o cabelo da boneca para não desmanchar. As bonecas da minha prima tinham os cabelos mais perfeitos que eu já vira. Mesmo assim, eu achava super estranho brincar daquele jeito.

Enquanto escrevo este texto, estou escutando minha caçula cantando no quarto. Ela está dando banho em uma de suas bonecas. Ela já fez uma pasta de talco com perfume, lavou os cabelos da boneca e está lá, feliz da vida, na sua imaginação.

Brinquedo serve para brincar

Esta é a principal função do brinquedo. Ser um meio para brincar. Criar a oportunidade da brincadeira acontecer. E, eu tenho certeza, você sabe bem a diferença de brincar e de olhar alguma coisa brincando sozinha.

Ainda pensando nisso, quantos brinquedos será que a gente precisa para brincar?

Uma pesquisa feita com crianças pequenas colocou-as em duas situações. Na primeira, a criança ficava num quarto, cercada de muitos, muitos brinquedos. Na segunda, a mesma criança, no mesmo quarto, mas com um brinquedo disponível. Sabe quem brincou mais? Pois é. A criança na segunda situação.

Ao se ver diante de tantos brinquedos, a criança ficou perdida, indo de um para outro brinquedo, sem explorar as mil possibilidade de cada um. O tempo passou, e não teve brincadeira.

Muitas vezes, nós adultos, queremos oferecer a nossos filhos os brinquedos que tivemos, os que não tivemos e aqueles que na verdade nós é que queremos brincar. E tem a dureza que é a competição/comparação com o pai do amiguinho, não é mesmo? (Ai, que vontade de mostrar esta coluna para o bendito vizinho com a casa entupida de brinquedos!!).

Tá, mas o que eu faço?

a. Deixe alguns brinquedos escondidos por alguns meses. Quando você “reapresentá-los” ao seu filho, eles serão como novos!

b. Observe que brinquedos seu filho gosta mais. Valorize a brincadeira com eles.

c. Que tal promover uma feira de troca de brinquedos entre os vizinhos ou amigos de escola?

d. Deixe seu filho aprender a esperar por um brinquedo. O valor para ele será maior.

e. Assuma a política de “entra um, sai um”. Ou seja, para um brinquedo novo que chega, um brinquedo antigo é doado. Sem acúmulos desnecessários.

Você vai ver que pode até ser difícil no começo, se seu filho está acostumados com muitos brinquedos. Mas no final das contas, a família toda vai entender e a relação com “coisas”, “objetos” será muito mais saudável para todo mundo.

 

Fonte: Revista Crescer – Patrícia Camargo e Patrícia Marinho

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